sexta-feira, 7 de março de 2014

A capivara e a Paçoca

A história a seguir é de conteúdo humor crítico
Era uma vez uma capivara de nome Jenivalda. Ela era beneficiária do auxílio reclusão, um estímulo do governo federal às famílias de baixa renda que dependem exclusivamente do preso que contribuía para a Previdência Social. Seu marido, Lyndebergson, fora preso por latrocínio. Roubou um celular de um jovem e este, sem reagir e entregando o celular, recebeu um tiro na cabeça. A família dele recebia 730 reais; família da vítima nem apoio psicológico.
A capivara, com seus dois filhos, Iderlanderson Wandeyl e Chryslenney Thamyla, morava em uma área de risco de desabamento, pois não tinha para onde ir. Sua segunda moradia estava em uma expectativa nutrida, promessas feitas a ela e outras famílias em situação semelhante: moradia em um conjunto habitacional. O projeto tardou a sair do papel e, quando saiu, a obra do governo estava tão parada que, se fosse água, dava foco da dengue. Para piorar, a empresa que fez parceria com o governo no fornecimento de máquinas e equipamentos foi indiciada pela Justiça por sonegação de imposto, formação de quadrilha, além de oferecer produtos de origem duvidosa. O governo se dizia traído, embora ele não fosse o certinho. Desviou 33 milhões dos cofres públicos, além de receber propina de inúmeras empreiteiras. Para Jenivalda e outras famílias, restava alimentar a cabeça com o sonho da moradia, enquanto os pés fincados no chão estavam sobre um piso prestes a quebrar.
Complementando a situação escrotamente escrota, Lyndebergson foi solto por bom comportamento. Tão comportado que só faltava uma auréola. Chegando em sua casa, viu-a vazia. Ligou a luz e viu um guaxinim sentado em uma cadeira. Quando Lyndebergson correu, o guaxinim o alvejou com 5 tiros e foi embora. Ao chegar da rua, Jenivalda e seus filhos viram a capivara deitada coberta de sangue.
Correu para a casa da vizinha para levar o marido para o hospital. Chegando lá, estava lotado. Havia médicos suficientes; o que faltava era medicamento. Faltava até maca. Havia acabado o soro, e os médicos tiveram de tirar do seu próprio bolso para comprar. Se o governo não tivesse colocado na cueca 33 milhões, a situação do hospital público seria bem diferente. Um calango fora até Jenivalda e o marido, jogado no chão:
- O que houve?
-Meu marido levou um tiro. Façam alguma coisa!!!
-Minha senhora, vamos colocá-lo em um carro reserva, pois a ambulância não funciona mais. Vou levá-lo a um hospital particular.
Com rapidez, colocou a capivara marido no carro. Mas antes de chegar ao destino, Lyndebergson morreu.
Para Jenivalda, o tempo já não estava ao seu favor. Passava lentamente. Uma quebra de solidão, Jenivalda teve a companhia de Iderlanderson e Chryslenney. A escola deles entrou em greve, porque o dinheiro que deveria ser usado na reforma da escola foi usado para a manutenção de um estádio que vai sediar a Copa.
Com pouco dinheiro, o jeito era se alimentar com as paçocas que sua vizinha fazia. Numa situação triste, resolveu ir à parte nobre da cidade oferecer-se de doméstica. Mas como a PEC 72, das empregadas, fez muitas exigências e encargos tributários, contratar uma empregada doméstica pesou no bolso. Com as economias indo para o poço, Jenivalda tomou uma decisão: ingressaria na prostituição. No começo, o cliente pagava com paçocas, para sua família. Mas zaí, com o “trabalho” prosperando, ela passou a ser namorada de um traficante.
Os filhos, Iderlanderson e Chyrslenney foram morar na Europa. O traficante, Bem, contou com Jenivalda para transportar as drogas para a Bolívia e outros bairros próximos. Para Bem e Jenivalda era fácil, já que ambos zos dois contavam com policiais corruptos que recebiam até 50 mil pila de proprina. Jenivalda vivia como princesa. Adorava paçoca, e por isso, esse passou a ser seu apelido. Paçoca era temida e invejada. Sua vida era boa até ir para um baile funk e ter ficado com o Mc Carapanã. Bem soube da traição e mandou chamar os dois.
Em uma casa abandonada, eles foram presos com barbante. Levaram muita bicuda e choque elétrico. Bem mandou enrolá-los com fita crepe. Era o fim. Amarrar alguém com fita crepe antecede a queima da vítima ainda viva.
-E os meus filhos?
-Calma, quirida. Serão meus filhos agora.
E colocando uma paçoca na boca de Jenivalda, pegou o álcool e derramou sobre ela e o Mc Carapanã. Pegou a caixa de fósforo e, acendendo, jogou no corpo dos dois. Jenivalda podia dizer agora: pode vir quente que eu estou fervendo.

Um comentário: