quinta-feira, 24 de julho de 2014

Violência contra a mulher

Parece que virou moda. Não se viram nas passarelas da São Paulo Fashion Week, ou da nova coleção de Dolce&Gabbana. Não, não é a moda da calça boyfriend -embora, às vezes, envolva o namorado-, ou do saião florido. É uma moda pior, que tem como adeptos os homens, se é que podemos chamar de homens, mais arrogantes e leigos da sociedade. 
A moda? A violência contra a mulher. Um tapinha ali, um empurrãozinho acolá. Depois o tapa se transforma em espancamento e o empurrãozinho fica tão forte, que muitas mulheres se lesionam gravemente. Quem deveria proteger, é na verdade o que assusta.
Sem lei Maria da Penha, sem estatísticas, sem reportagens: para falar a respeito desse tema, por preguiça, fiz um poema. Até porque meu nome é Camões... Mentira, é Denise mesmo.

O sharia 


Isso não é Afeganistão
Não estamos sob o islamismo
Isso aqui não é ditadura
Mas alguns acreditam que sim
Outros duvidam que não
Não há uma Constituição 
Regendo sobre a burca
Mas há uma Sharia
Sobre tapas que você leva na cara
E a humilhação
Ou o quanto você é desvalorizada
Em cada casa assim
Você vê um xiita
As vezes parece um sunita
Mas em uma coisa se assemelham:
Seguem a regra de espancar a mulher
Fazem e seguem à risca sua própria lei
Na casa, ele é o rei
A mulher não é o súdito
Pelo hadith
É o escravo que, para ele, nunca vai ser alforriado
E não importa quantos 180 sejam ligados
Ele é o dono dela
E ela não é dona da sua vida
É o companheiro o seu Allah
Que quando diz "sim", é sim
Caso contrário, isso pode significar sua morte
Muitos olham, poucos vêem
Porque são burgueses de tradições
Dos ditos proverbiais "em briga de marido e
mulher não se mete a colher"
E o seu silêncio vale mais
Do que evitar um olho roxo
Que, por vezes, é preferível às flechas de fogo
Saídas da boca do seu Aiatolá
Xingamentos, escárnios, um dicionário de palavrão
Que miram o coração, mente, todo o psicológico
A violência, não a física, mas a moral
A que mexe com o subconsciente
Oculta, coberta, entre sete paredes
Aquela violência, por ignorância, é desclassificada 
como tal
Mesmo produzindo um efeito mais mórbido
Pois toda forma de violência
É uma forma inóspita e mesquinha
De sentir o poder
De obter forças da forma mais fraca
De achar que derrubar a outra aumenta seu degrau 
em sete léguas
E que esse círculo vicioso nunca vai ser rompido.
Ledo engano.
Seja a diferença
Não seja a omissa estátua atenta a nada.
Se acasso discussões, mudanças notáveis,
súplicas desesperadas das marcas no corpo
E o grito do silêncio
Forem vistos, ouvidos, percebidos
Por seus olhos, boca, cinco sentidos
E a certeza for tão grande,
Que seja necessário desenterrar as palavras da garganta,



Denuncie. Ligue 180.






quarta-feira, 16 de julho de 2014

A Copa da Vida Real

        A Copa acabou. As notícias sobre as vaias da Dilma, a coluna torta do Neymar, a vitória pornográfica da Alemanha sobre o Brasil já estão acabando também. Então vamos falar sobre a Tekpix, a filmadora mais vendida... 
  Não, esse site não posta mentiras. E mentira não é o tema de hoje. E prosa não é o texto de hoje.
      
Sem Maracanã, sem Felipão, sem David Luiz ou Copa das Copas. Hoje, através de um poema, falo sobre outro assunto. É uma reflexão, uma crítica, um elogio.
    Uma meditação sobre a vida das crianças da favela. Tão iguais e tão diferentes ao mesmo tempo.
    Uma crítica, às pessoas que usam da condição como pretexto para iniciar sua vida no crime. Que esteriopatiza que todo mundo da favela vai rumar para a criminalidade. Que todo pobre, por estar sem opção, vai roubar, vai matar, vai fazer do Código Penal seu livro de figurinhas a ser preenchido.
    Um elogio às pessoas que mostram o contrário. Que todos, sendo pobre ou rico, têm opção na vida. E que, com esforço, você pode mudar os rumos da sua história. Todos têm chance na vida, e seu desperdício se dá por mera preguiça. 
 Pode até ser um paralelo à Copa do mundo, em que cada um tem seu desafio, mas a taça da vitória não está disponível somente para um, e sim para quem sabe ser um Löw da sua história


   Moleque do Morro

Ele me disse que trabalha no transporte aéreo
Ele não é piloto nem co-piloto
É um aviãozinho
Que carrega na mão, na mochila, no estômago
Um, dois, quantos pacotes couberem
Quantos retornos puderem
Um pó branco é o ouro
Cocaína, na tabela periódica, vira Au
E nem Pelé seria um crack tão admirado
Esse avião não tem motores
E suas asas não voam tão alto
Chegam ao céu da favela
Ao céu do teto da mansão
Daquele cheio de ouro, cheio de arma
O Poderoso Chefão

Pobre garoto do morro
Que o que quer é ficar rico
Por mais que isso custe
Cuspir na Lex
Ele sabe a mulher com a balança o protege
Pois ela é cega
E puni-lo seria contra lex

Pobre garoto do morro
Que de noite sonha ser um homem de ouro
Com um chifre para mandar e desmandar
E brincar de Deus, se você morre ou vive
Tudo isso tem um preço
E ele não sonha em pagar com a sua vida

Garoto pobre do morro
Que prefere a vida do que o "mato ou morro"
Mesmo que isso signifique
Gastar 400 horas para ganhar 40 reais
O que ele quer é sair da pobreza
Seu alvo principal não é a riqueza
É a vida honesta, é a sorte de uma vida tranquila
Com sabor de água límpida
Por mais que isso custe
Os desafios que a vida joga
O garoto pobre do morro
Com cara e coragem, dobra a aposta
Pois ele escolheu o caminho certo
Não usou sua situação como desculpa esfarrapada

Garoto pobre do morro
Com uns livros e lápis na mão
Vai que é tua
Você tem a vida toda
Para transformá-la num final feliz.


quarta-feira, 2 de julho de 2014

Toda Cota que Houver Nessa Vida

Sempre fui a favor da meritocracia; o mais apto conseguir uma vaga de emprego ou de ensino. Assim, sou contra cotas, salvo para pessoas de baixa renda e deficientes. As pessoas dizem que tudo isso é política de inclusão, que é uma medida de reparar danos e por aí vai. E quando o assunto é Cota, o Brasil mostra sua cara. Confira.

Cotas raciais em universidades



O sistema de cotas foi adotado pela primeira vez em 2004 pela UNB. De lá para cá, o número de universidades que adotaram esse sistema tem aumentado. Segundo o portal da UFSJ, 42,3% das universidades federais adotaram essa medida.
Para alguns, é uma vitória. As cotas representam o acesso antes "negado" aos negros e indígenas. Além do mais, é um "pagamento da dívida histórica que o Brasil tem para com os negros e indígenas, pois estes foram escravizados durante muito tempo".
Isso significa, então, que uma pessoa declarada branca deva ceder sua vaga conquistada por mérito a uma pessoa negra ou indígena devido a sua ancestralidade? Devemos responsabilizar os brancos de hoje pelos absurdos cometidos pelos brancos do passado? Isso é ridículo. 
E preconceituoso. Como os negros precisam de cotas para entrar numa universidade? Quer dizer que eles não são aptos para conseguir uma vaga por mérito próprio? 
No cúmulo da hipocrisia, muitos dizem que os negros são "minoria esquecida".  Valha-me, sociedade. O Brasil tem a segunda maior população negra do mundo, só perdendo para Nigéria. Vivemos no país mais miscigenado do mundo, com mais da metade das pessoas descendentes de africanos. Como definir quem receber essas cotas? Existe pessoas mais negras que as outras?



Cotas para negros no serviço público



Entrou em vigor no dia 10 do mês passado um dos maiores absurdos aprovados pela Dilma Roscoff. Nada mais, nada menos que a Lei que reserva 20% das vagas para negros no serviço público.
Sempre aquele velho discurso que é uma luta contra a discriminação. E sempre a mesma violação do fundamento de igualdade perante a Lei. 
Convenhamos, isso beira o ridículo.
Estamos falando de serviços públicos, mão de obra profissional. Não estamos falando de universitários que, numa defesa frágil, vai receber aprendizado igual.  Mas o futuro servidor não vai entrar para aprender uma nova competência que mais tarde vai ser cobrada pelo mercado de trabalho. 
Além disso, será mais um novo meio para os ignorantes atiçarem ainda mais seu preconceito. "Ah, ele só conseguiu o emprego por causa da cota, blá, blá blá".
No serviço público, é necessário a escolha dos melhores, independente da cor, pois os candidatos para a vaga estão oferecendo sua competência e sabedoria. As pessoas devem ascender pela sua aptidão, não pela cor. É absurdo e um agressão ao bem público.


Cotas para mulher no Parlamento




É lei: 30% das vagas para cargos eleitos por voto proporcional devem ser destinadas às mulheres. Tudo isso depois das feministas militantes dos próprios partidos e outras cambadas se mobilizarem. 
Fala sério. Elege-se quem tem votos nas urnas; é a lei da democracia.
Mulher, negro, branco, anão, todos devem ser eleitos pelo povo por suas propostas e competência em cumpri-las, e não por causa da sua cor, sexo, credo, estatura.
Está havendo uma banalização do sistema de cotas. Se a pessoa é eleita ou não, é o povo quem decide. Uma mulher não ser eleita não significa que é só porque seja mulher, mas na realidade, sua ficha não seja limpa, suas propostas talvez não sejam coerentes... uma gama de competências esperada de qualquer candidato.
Mas é isso, vivemos no país democrático, o país de todos, o país das cotas; onde as pessoas não querem direitos, mas privilégios. 
Mas se o STF e a Dilma Roscoff concordam com as cotas, quem sou eu para questionar?