A bola da vez é a bola da Copa. O dia em xeque é o dia 12. O evento não é somente os jogos. É tudo que engloba a Copa, porque Copa do Mundo não é só o que acontece dentro dos estádios. É o que acontece fora. Justamente o que o governo teme, com uma certa razão.
Sempre fui a favor das manifestações, dos protestos pacíficos, das passeatas por um ideal justo. Tentar calar a boca do povo é agir com tirania. Nada mais bonito que um aglomerado de pessoas com cartazes, em prol de uma causa justa.
Mas os protestos que estão próximos da Copa são tão necessário como chifres em uma galinha. Qual o resultado que as pessoas pretendem alcançar? Não deixar que o evento ocorra? E o dinheirama já gasto para sediar o evento? Tá atrasado, hein. Tais protestos tardios são inócuos. Mas fazer o que, é o jeitinho brasileiro.
Por que não protestaram em outubro de 2007, quando a FIFA anunciou que o Brasil sediaria a Copa? Nesse momento, só se pensava "Brasil, rumo ao écsa".
E no embalo da caxirola, o governo começou a dar sinais negativos. Não é por acaso o logo da Copa:
Em 2012, 2 anos antes, 44 das 55 obras urbanas da Copa começaram tarde ou nem tinham saído do papel. Quando se constatou que nada estava saindo como planejado, quantas pessoas foram para rua?
Agora, é irresponsável alimentar conflitos contra a Copa, os gastos já foram realizados. O que fazer? Assistir aos jogos? Vestir uma camisa estupidamente preta, em sinal de luto (?), nos dias do jogo do Brasil?
Não, em momento algum sou favorável à Copa e muito menos às gastanças. Mas também não apóio o jeitinho brasileiro de que "mais vale um protesto tardio do que dormir em berço esplêndido". Sim, envolve nosso dinheiro. Mas por que as pessoas não protestam em carnavais e outros eventos que tenham parcela de dinheiro público? A Copa é uma vez, mas esses eventos não.
Talvez esse dinheiro, independentemente ou não da Copa, não fosse investido em educação. O governo investe 289 bilhões com educação. Esses 20 bilhões da Copa poderiam sim ser usados para segurança, saúde (que está um caos), educação. Mas do que adianta vir 20, 30, 50 bilhões, se o problema está na gestão que, ou rouba ou aplica mal mais da metade? O governo investe 6,7 mais em ensino superior do que no básico. Mais investimento? Não, melhor investimento!
Talvez devêssemos trocar o cartaz "mais dinheiro para educação" por "mais educação para esse dinheiro". Porque esse dinheiro é seu, é meu, e não devemos protestar só quando gastam eles em estádios. Não é de hoje a roubalheira. E protestar não é só ir pra rua. Na maior parte das vezes, o melhor protesto é na urna. E daí, quem sabe, evitaremos vexames como esses da Copa.
Protestar agora contra a Copa não adianta, o dinheiro não volta. Mas saber em quem votar no dia 5 de outubro, vai trazer melhores resultados.


Nenhum comentário:
Postar um comentário