quarta-feira, 16 de julho de 2014

A Copa da Vida Real

        A Copa acabou. As notícias sobre as vaias da Dilma, a coluna torta do Neymar, a vitória pornográfica da Alemanha sobre o Brasil já estão acabando também. Então vamos falar sobre a Tekpix, a filmadora mais vendida... 
  Não, esse site não posta mentiras. E mentira não é o tema de hoje. E prosa não é o texto de hoje.
      
Sem Maracanã, sem Felipão, sem David Luiz ou Copa das Copas. Hoje, através de um poema, falo sobre outro assunto. É uma reflexão, uma crítica, um elogio.
    Uma meditação sobre a vida das crianças da favela. Tão iguais e tão diferentes ao mesmo tempo.
    Uma crítica, às pessoas que usam da condição como pretexto para iniciar sua vida no crime. Que esteriopatiza que todo mundo da favela vai rumar para a criminalidade. Que todo pobre, por estar sem opção, vai roubar, vai matar, vai fazer do Código Penal seu livro de figurinhas a ser preenchido.
    Um elogio às pessoas que mostram o contrário. Que todos, sendo pobre ou rico, têm opção na vida. E que, com esforço, você pode mudar os rumos da sua história. Todos têm chance na vida, e seu desperdício se dá por mera preguiça. 
 Pode até ser um paralelo à Copa do mundo, em que cada um tem seu desafio, mas a taça da vitória não está disponível somente para um, e sim para quem sabe ser um Löw da sua história


   Moleque do Morro

Ele me disse que trabalha no transporte aéreo
Ele não é piloto nem co-piloto
É um aviãozinho
Que carrega na mão, na mochila, no estômago
Um, dois, quantos pacotes couberem
Quantos retornos puderem
Um pó branco é o ouro
Cocaína, na tabela periódica, vira Au
E nem Pelé seria um crack tão admirado
Esse avião não tem motores
E suas asas não voam tão alto
Chegam ao céu da favela
Ao céu do teto da mansão
Daquele cheio de ouro, cheio de arma
O Poderoso Chefão

Pobre garoto do morro
Que o que quer é ficar rico
Por mais que isso custe
Cuspir na Lex
Ele sabe a mulher com a balança o protege
Pois ela é cega
E puni-lo seria contra lex

Pobre garoto do morro
Que de noite sonha ser um homem de ouro
Com um chifre para mandar e desmandar
E brincar de Deus, se você morre ou vive
Tudo isso tem um preço
E ele não sonha em pagar com a sua vida

Garoto pobre do morro
Que prefere a vida do que o "mato ou morro"
Mesmo que isso signifique
Gastar 400 horas para ganhar 40 reais
O que ele quer é sair da pobreza
Seu alvo principal não é a riqueza
É a vida honesta, é a sorte de uma vida tranquila
Com sabor de água límpida
Por mais que isso custe
Os desafios que a vida joga
O garoto pobre do morro
Com cara e coragem, dobra a aposta
Pois ele escolheu o caminho certo
Não usou sua situação como desculpa esfarrapada

Garoto pobre do morro
Com uns livros e lápis na mão
Vai que é tua
Você tem a vida toda
Para transformá-la num final feliz.


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