A moda? A violência contra a mulher. Um tapinha ali, um empurrãozinho acolá. Depois o tapa se transforma em espancamento e o empurrãozinho fica tão forte, que muitas mulheres se lesionam gravemente. Quem deveria proteger, é na verdade o que assusta.
Sem lei Maria da Penha, sem estatísticas, sem reportagens: para falar a respeito desse tema, por preguiça, fiz um poema. Até porque meu nome é Camões... Mentira, é Denise mesmo.
O sharia
Isso não é Afeganistão
Não estamos sob o islamismo
Isso aqui não é ditadura
Mas alguns acreditam que sim
Outros duvidam que não
Não há uma Constituição
Regendo sobre a burca
Mas há uma Sharia
Sobre tapas que você leva na cara
E a humilhação
Ou o quanto você é desvalorizada
Em cada casa assim
Você vê um xiita
As vezes parece um sunita
Mas em uma coisa se assemelham:
Seguem a regra de espancar a mulher
Fazem e seguem à risca sua própria lei
Na casa, ele é o rei
A mulher não é o súdito
Pelo hadith
É o escravo que, para ele, nunca vai ser alforriado
E não importa quantos 180 sejam ligados
Ele é o dono dela
E ela não é dona da sua vida
É o companheiro o seu Allah
Que quando diz "sim", é sim
Caso contrário, isso pode significar sua morte
Muitos olham, poucos vêem
Porque são burgueses de tradições
Dos ditos proverbiais "em briga de marido e
mulher não se mete a colher"
E o seu silêncio vale mais
Do que evitar um olho roxo
Que, por vezes, é preferível às flechas de fogo
Saídas da boca do seu Aiatolá
Xingamentos, escárnios, um dicionário de palavrão
Que miram o coração, mente, todo o psicológico
A violência, não a física, mas a moral
A que mexe com o subconsciente
Oculta, coberta, entre sete paredes
Aquela violência, por ignorância, é desclassificada
como tal
Mesmo produzindo um efeito mais mórbido
Pois toda forma de violência
É uma forma inóspita e mesquinha
De sentir o poder
De obter forças da forma mais fraca
De achar que derrubar a outra aumenta seu degrau
em sete léguas
E que esse círculo vicioso nunca vai ser rompido.
Ledo engano.
Seja a diferença
Não seja a omissa estátua atenta a nada.
Se acasso discussões, mudanças notáveis,
súplicas desesperadas das marcas no corpo
E o grito do silêncio
Forem vistos, ouvidos, percebidos
Por seus olhos, boca, cinco sentidos
E a certeza for tão grande,
Que seja necessário desenterrar as palavras da garganta,
Denuncie. Ligue 180.

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